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Resenha | Quero dar uma parada em Nova Iorque antes de ir para o inferno, de Pedro Veroneze

Agora é a vez de Pedro Veroneze entrar no mundo da poesia


Depois de se aventurar na ficção “The Pandemic”, o talentoso rapaz, passeia pelos versos poéticos e um tanto pessoais de seu novo livro, “Quero dar uma parada em Nova Iorque antes de ir para o inferno”, que será lançado ainda em janeiro pela Editora Fross.



É possível ver como Pedro Veroneze é ele mesmo no gênero poético. Qualquer pessoa percebe que cada poema pode ser para dois ouvintes. Algumas vezes, são versos para uma amada mulher, que seriam versos que qualquer moça gostaria de ouvir do namorado. Em outros momentos, ele fala com um amigo, na mesa do bar, na fila de um cinema, ou até assistindo uma série em casa.


Confesso que algumas vezes era como se eu estivesse em Nova Friburgo-RJ, onde o autor mora hoje, batendo um papo com Pedro, ou então com um amigo no shopping perto da minha casa comendo um lanche do Mcdonalds.


É uma linguagem jovem e é possível enxergar que o garoto ama o simples da vida e mesmo que faltem coisas básicas do dia a dia por falta de dinheiro, ele é feliz ao lado de quem ama, seja ela uma garota, uma mulher de sua família, ou o cotidiano dele.


Ele é autêntico, não faz redemoinhos de palavras lindas para enrolar o leitor, fala na lata: “Não sei, não lembro, não ouvi falar...”. Transformando o livro como uma conversa informal, por vezes somos Veroneze, por exemplo:


– Outro dia escutei no rádio aquela frase famosa do ... Aquele autor famoso daquele livro ... Puxa, não lembro.


Caso o Pedro fosse meu amigo do cotidiano, iria chamá-lo de “garoto”. Abro aspas para a palavra garoto, pois é nítido em sua escrita aquela revolta com a sociedade que todo jovem tem no início da fase adulta.


Reclama do governo, da religião, fala de sexo, do que é imposto, enfim, tudo o que é tabu, ele cita no livro e daí descobri a razão do enigmático e chocante título da passagem que ele quer receber só de ida ao inferno!


Já que ele é contra tudo o que nos é imposto, seu destino olhado pelos conservadores, não pode ser o céu e é como se ele soubesse disso. Mas ao mesmo tempo, fala do comum da vida, como a falta de luz em casa, a vinheta da Pixar (empresa de cinema ligada à Disney) e como há mulheres que o cercam e são homenageadas, como sua mãe!

"Eu já não sei quantos mais exemplos das mais fortes

Mulheres que eu já conheci na vida eu poderia dar

Só sei que vim do ventre de uma das mais fortes delas"

p. 43


Quem me conhece sabe o quanto sou religioso, sou Católico, e amo o estudo das religiões. Logo, o título me deixou um pouco “uau!”, mas vi que é uma bela leitura e que indico para qualquer um. Sim, gostei, por ser aquilo que está no peito de um jovem e que só quer ser feliz e viver o que há de melhor na vida.


Alguns trechos:


"Ela é a terceira mosqueteira de um trio de fofoqueiras"

pg. 37


"A vida não é uma orgia

Você sempre se fode sozinho"

p. 48


A vida é um intervalo de tempo

entre duas datas.

E o que você decide fazer

entre elas.

p. 132


"Voe alto e cuidado com o sol.

Voe baixo e cuidado para as ondas

não te engolirem."

p. 150


O livro entra em pré-venda ainda essa semana no site da Editora Fross.


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© 2021 por Eliaquim Batista - Blog Vida de Escritor.

São Paulo / SP