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Crônica | Bienal do Livro e os Patos Literários

26 de set.
3 min de leitura

O fenômeno que invadiu o Rio de Janeiro no ano passado e foi sensação em 2026 em São Paulo.


Terminou no último dia 13 a 28ª Bienal do Livro de São Paulo. O evento se consolidou como o maior de toda a América Latina, além de ser a maior edição da história, com mais de 760 mil visitantes. Isso é um bom sinal, visto que pesquisas comprovam que o brasileiro lê cada vez menos. Surge um sinal de esperança!

 


Espaços instagramáveis para postar foto nas mídias sociais, encontros com autores, uma aposta desconhecida vinda do estrangeiro que ganhou um destaque, as ecobags que fazem você comprar mais um livro em um estande para ganhar o brinde, enfim.


Fora as polêmicas, teve o cidadão mascarado do dark romance, para não dizer o que estou pensando. Ou então as duas ou três influencers com síndrome de Rodrigo Bocardi que se acham maiores do que a literatura. Mas essas são histórias para outros textos.


O que achei intrigante e entrei no clima logo na primeira oportunidade foram os bichinhos que ganharam corredores, estandes, cabeças, mochilas e crachás. Eles estavam em todos os lados, inclusive na cabeça do menino que fazia hambúrgueres por 60 conto em um lanche que pago 10 ou 15 aqui na minha quebrada.


Eles estavam na fila dos caixas, entre vendedores e visitantes. Foram perseverantes na fila quase interminável de duas a três horas do transfer entre o Terminal Tietê e o Distrito Anhembi. E sobreviveram ao agradável, sqn, clima com mínima de 10º C. E foram os primeiros a entrarem na Bienal no segundo sábado, dia 12, enquanto a cidade ficou embaixo d’água. Sem dúvidas, eles foram nadando e boiando, pois fazem isso melhor do que qualquer um de nós.

Soube por uma amiga que a brincadeira começou com um carioca na Bienal do Livro do Rio de Janeiro do ano passado e agora foi a vez de invadir a edição paulistana. Mas quem são eles?


Para o repórter da Ana Maria Braga, Fabrício Battaglini, em link ao vivo do evento, e regado pela gritaria de crianças e adolescentes, são pintos. Como em terra de mídia social, tudo vira meme, ele se corrigiu rapidamente e disse serem pintinhos. Achava que negócio de pintinho era do Gugu; inclusive, eles também são amarelinhos. Confesso que, como a maioria da minha geração, dancei muito a tal musiquinha do apresentador nas festinhas de aniversário dos anos 1990.


Mas eu não via o enfeite com formato de um pinto, mas sim de um pato. E logo descobri que o global deveria ser voto único, pois os patos invadiram o Anhembi, especialmente as cabeças, sejam de crianças ou adultos, jovens ou idosos, homens ou mulheres. Todos os amaram com seus adereços, sejam óculos, laços e até fones de ouvido. Então, Gugu, respeito a sua memória, mas você é carta fora nesse hype.


Então, a história é com a Xuxa, que cantava no fim da minha infância os patinhos que iam passear, sei lá para onde, e que recentemente voltaram a ganhar a cena com o fenômeno Coral das Quebradas, grupo formado por jovens que cantam músicas infantis, sucessos dos anos 1990 e 2000, e, entre elas, a música daquela que foi a Rainha dos Baixinhos, acho que perdeu esse título faz tempo. Confesso que sou seguidor dos caras com talento incomparável.

Mas esses são mais legais. Comprei uns três, ganhei uns dois. Me perguntaram o significado, respondi que são “patos literários”, nome do estande em que comprei os meus. E a marca está aí!


Na minha simples opinião, que sei que não vale muita coisa, mas isso tem que virar uma marca entre os leitores em qualquer evento. Imagine um patinho perdido na festa junina, outro no carnaval, no próximo LollaPalooza e até na ceia de Natal em família?


É você olhar um bichinho amarelo em uma cabecinha e saber: aquele ali é da vibe dos livros. Você pode chegar para a pessoa e perguntar: “Qual livro você está lendo?” e, assim, puxar uma bela conversa. Quem sabe não pode dar até casamento?


Então, agora é hora de pedir desculpas ao cara da Ana Maria, ao Gugu e à Xuxa, mas os patos literários são bem mais legais. Viva os patinhos literários! Agora, que venha a Bienal do Livro do Rio 2027!


Abraços Literários,


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