#Resenha | Livro: EU “ODEIO” CHICO BUARQUE DE HOLANDA E OUTROS CONTOS, de Fernando Mundim Veloso (Editora Patuá) – Parceria com a El Vine Assessoria.
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Em "Eu 'odeio' Chico Buarque de Holanda e outros contos" (Editora Patuá), de Fernando Mundim Veloso é um livro de contos onde música, futebol e brasilidades se misturam com um humor ácido e sarcástico.
O livro é composto por sete contos escritos sempre em primeira pessoa, sendo quatro deles ligados no mesmo enredo e três independentes, sendo todos bem construídos e com pitacos e finais dignos da época dos belos cronistas de jornais. Tanto é que o livro foi o segundo colocado no V Prêmio Book Brasil, na categoria de Narrativa Curta.
O autor Fernando Mundim Veloso considera que a obra é dividida em três partes: O conto de abertura que dá título ao livro, seguido por quatro textos que mostram um fracasso familiar visto por diferentes personagens, e dois últimos com uma leveza, para não dizer um delírio acordado do narrador.
Desde o título até a última página de Eu “odeio” Chico Buarque de Holanda e outros contos (Editora Patuá), é um livro literalmente regado por música, além de contos com trechos de canções e de nomes de músicas que marcaram as décadas de 1980 a 2000, e diversos cantores invadirem os corações de diversos personagens. Leonardo, Bee Gees, Chico Buarque, Zezé di Carmargo & Luciano, Jorge Benjor e Noel Rosa, entre outros, aparecem nas páginas do livro para citar alguns exemplos.
Outro elemento que marca a obra de uma forma viva e muito bacana no livro é o futebol, paixão nacional. O esporte aparece desde um amistoso no futebol de várzea, até o nome de um personagem ser escolhido pela mistura de dois craques da Copa de 1970: Gerson e Rivelino. Além de trazer outras brasilidades ao longo dos contos, como uma cidade do interior, um fã incondicional de um dos intocáveis da música nacional, a família de fazendeiros que manda na pequena cidade, o tal agro e falsos moralistas religiosos.
Tudo isso faz o leitor se identificar com cada história, além da forma leve que o autor escreve em cada página e faz em um vapt-vupt terminar um conto e querer seguir para o próximo, pois os títulos dão um spoiler, mas aguçam a curiosidade do leitor.

O livro já começa com “Eu ‘odeio’ Chico Buarque de Holanda”, onde um humilde jovem auxiliar de contabilidade, mas com um gosto bem cult, recebe um convite irrecusável para jogar uma partida contra o time de ninguém mais, ninguém menos que o seu grande ídolo. Vale ressaltar o subtítulo do conto “Como me tornei uma subcelebridade”, e o autor apresenta como é a vida desses virais da internet e que volta e meia vão parar no Fantástico, são pauta do Léo Dias e se tiverem sorte, entram na Fazenda da Record ou outros desses realitys que o “povão brasileiro” ama.
O conto mostra como não nos conhecemos na hora da raiva e que naquela hora que o “sangue sobe”, podemos fazer coisas que nos arrependemos segundos depois, além de causar um choque nacional. Já vi nas peladas de bairro amigos de infância se tornarem arqui-inimigos.
Depois, somos levados ao interior de Minas Gerais, em quatro contos que mostram a visão de cada personagem de uma mesma história. Onde um radialista daqueles programas melosos da madrugada se apaixona pela rainha do rodeio da cidade, filha única do maior fazendeiro da cidade. Mas ao abrir uma empresa de Disk Mensagens, serviço de homenagens com carros de som dos anos 1990, se vê um grande empreendedor e engata um romance com a moça. Com o declínio de seus serviços e ao negar ajuda de pessoas próximas, o dj cafona vai ao declínio e perde tudo o que tem, seja financeiramente e afetivamente.
Ele acha que tudo é passageiro e que está prestes a subir na vida novamente. Para sua esposa, uma patricinha bem metida que sempre teve tudo na mão, seu relacionamento com Gersolino foi um atraso e o culpa por não ter virado Miss Brasil.
Já o filho do casal, é um playboy metido a besta que vive às custas do avô materno e vive rodeado de Marias Gasolinas da cidade em seu carrão. Sonhava em ser jogador de futebol, achava que jogava pra caramba, que teria trazido o hexa para o Brasil, com a seleção toda em suas costas, mas culpa o pai pelo fracasso no esporte. É engraçado como ele e a mãe buscam culpar um terceiro pelos seus fracassos, sendo que não eram lá tudo isso.
Fechando o ciclo dessa família, ou projeto de uma, vem a visão da mãe de Gersolino, uma senhora que vive atrás de um véu de falso moralismo religioso ao seguir a Bíblia ao pé da letra, mas odeia a antiga nora e sua família. Carrega uma venda sobre os homens de sua família, pois acha que o filho é quase que um santo em vida e nega que o esposo falecido era um policial corrupto, infiel e um crápula nos anos de chumbo.

No terceiro e último bloco do livro, formado por dois contos, é possível ver um autor um pouco mais reflexivo, onde no primeiro conto ele critica duramente os tais coachs, bem feito, e pensa sobre a solidão humana. Enquanto no segundo, um fim de relacionamento e a seca do cerrado no meio do ano também reflete sobre a solitude de algumas pessoas.
O livro apresenta como nós, seres humanos, temos vários defeitos que estão marcados no nosso âmago e personalidade. Seja pela fúria, pela arrogância, pela solidão, enfim. São textos bem escritos, com a dose essencial de humor e que por vezes, pode acontecer com qualquer brasileiro.
Enquanto Lilia Guerra traz a musicalidade do samba, em “Perifobia” (Editora Todavia), Fernando Mundim Veloso apresenta um toque mais romântico com músicas bem amorosas e por vezes políticas, em “Eu ‘odeio’ Chico Buarque de Holanda” (Editora Patuá).
Agradeço ao pessoal da El Vine Assessoria Literária e ao autor Fernando Mundim Veloso pelo envio do exemplar.
Abraços Literários,







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