Comprei “Entre amar e morrer, eu escolho sofrer”

Novo livro de Sacolinha saiu pela Todavia.


O livro é um dos e-books (também disponível em formato físico) da coleção 2020 — ensaios sobre a pandemia.


A série de livros foi criada e produzida durante a pandemia de Covid-19, a coleção reúne autores e autoras que se dedicaram a refletir e a provocar o pensamento em livros breves, atuais e contundentes.


Clique na imagem e conheça mais sobre a coleção.



Autor de uma literatura calcada na realidade das periferias, Sacolinha apresenta uma história de amor e luta social no meio da tempestade — sanitária, social e econômica — trazida pela chegada da Covid-19. Uma obra de ficção escrita com urgência e sentido humanitário.


Sobre a obra:

Bibiano e Malú são engolidos pelo turbilhão que a desigualdade provoca quando a doença desembarca nos lugares menos assistidos pelo Estado. Bibiano é um artista de grafite reconhecido em sua região. Depois de uma desilusão amorosa, precisa lidar com a precariedade do meio em que vive quando ele mesmo é contaminado pelo novo vírus. Na mesma com


unidade vive Malú, jovem intelectual negra formada em História, uma moça aguerrida que aos poucos demonstra sua capacidade de liderança para lidar com a crise sanitária.

Sobre o autor:

Sacolinha (Ademiro Alves de Sousa) nasceu em São Paulo, em 1983. É formado em Letras pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Recebeu diversos prêmios por seus romances, livros de contos e crônicas. Atualmente realiza o projeto “Literatura e paisagismo – Revitalizando a quebrada”.


Divulgação da Editora (Todavia)


Qual motivo me fez comprar?

Logo no início da "quarentena" pensava nas complicações que o tal vírus causaria em nosso Brasil. E pensava no caos que o isolamento social causaria aos mais pobres, como: o crescimento do desemprego, o fim dos trabalhos informais, mesmo que temporariamente, nossa saúde pública que é ruim, como sabemos, fora a proliferação da doença.


Ao ouvir o #podcast da Todavia, conheci Sacolinha e seu novo trabalho "Entre amar e morrer, eu escolho sofrer” que havia acabado de ser lançado e que falava sobre a vida em uma comunidade em meio a pandemia.


O autor disse que após a pandemia grandes redes de fast food, vão se reinventar e se recuperarem, se não voltarem de uma forma mais forte. Mas e o "senhor" que vende churrasco na porta do metrô? E a senhora que faz hambúrguer na porta de casa?


Foi quando pensei: "Quero ler esse cara!".


Abri meu aplicativo de anotações no celular e anotei seu nome.


Agora é esperar o livro chegar e conhecer a história!


Compre você também o seu exemplar no site da Editora Todavia.


Por Eliaquim Batista.


Leia um trecho da obra:

Era final de março. O país todo estava em quarentena graças aos decretos dos governadores. O presidente, contudo, era contra. À boca miúda, comentava-se que esse vírus era uma ótima chance para exterminar a população mais pobre, sobretudo os idosos que já não contribuíam com o progresso do país e oneravam os cofres públicos com a aposentadoria e o uso dos hospitais. E enquanto deputados e senadores articulavam a aprovação de um auxílio emergencial no valor de seiscentos reais, o presidente queria liberar apenas uma pequena parte desse valor. Soube-se depois que a maioria desses representantes do povo articulavam o auxílio visando as eleições daquele ano. E que muitos governadores eram mesmo a favor de não decretarem quarentena, mas já que o presidente era contra, eles foram na contramão.

No meio desse jogo político, o povo. Lá na comunidade, Malú e as outras lideranças trabalhavam sem parar. Eram cerca de cem mil moradores e a maioria tinha emprego informal. Alguns vendiam hot dog, churrasco, bolo de festas, tupperware e cosméticos. Esses já não tinham para quem vender. Outros eram pedreiros, seguranças e diaristas. Ficaram todos desempregados da noite pro dia, principalmente as diaristas, que em sua maioria não tinham marido e eram responsáveis pelo sustento da casa.

A pandemia não havia começado pra valer e Malú já se sentia a protagonista de Teresa Batista cansada de guerra, de Jorge Amado, seu livro preferido. Apesar de extenuada, resistia, porque sempre tinha algo que levantava sua moral, como no dia anterior, em que ela foi junto com um Coordenador de Rua levar uma cesta básica pra uma família.

Na hora em que ela se retirava da casa, o chefe de família segurou-a no quintal, e disse que tinha vindo do sertão do Nordeste para dar uma vida digna à esposa e aos quatro filhos, e que nunca tinha passado por uma situação assim, nem mesmo lá de onde vinha. Com lágrimas nos olhos, agradeceu-a por ter evitado que ele cumprisse uma promessa antiga de tirar a própria vida caso visse a família passar fome. Perguntou se Malú aceitava uma oração. Ela concordou gesticulando com a cabeça, pois não tinha palavras para responder ao que acabara de ouvir.

Na manhã seguinte, Malú chamou uma reunião com as principais lideranças da Brigada. Precisavam discutir ideias que gerassem renda aos moradores que perderam seus empregos. E foi uma reunião produtiva. Dali saíram outras ideias pioneiras pra salvar muitas famílias. Uma delas foi a criação de um aplicativo em que interessados poderiam apoiar uma diarista com um auxílio de duzentos e cinquenta reais mensais, mais uma cesta básica e um kit de higiene e limpeza. O interessado nesta ação poderia optar só por doar ou ser um contratante que está pagando adiantado e que depois, quando o pior já tiver passado, teria o serviço executado. Outra ideia bacana foi uma “vaquinha online” pros restaurantes da comunidade que haviam perdido cerca de oitenta por cento do faturamento. Quem quisesse contribuir, doaria o valor de uma marmita de dez reais. Esse dinheiro, além de comprar os ingredientes para as marmitas, também pagaria o salário das cozinheiras. As marmitas são doadas para as famílias que estiverem sem o gás em casa.

Sacolinha

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