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Papo com Escritor | Fausto Luciano Panicacci

Acompanhe a entrevista com o escritor Fausto Luciano Panicacci.


Advogado, Promotor de Justiça, nasceu no interior de São Paulo, já morou na Inglaterra e fez seu doutorado em Portugal. Mas em sua vida, sempre teve uma linda história com as artes.

Autor de três livros, sendo o seu mais recente trabalho "O Silêncio dos Livros" pela Editora Pandorga, Fausto Luciano Panicacci está no Papo com Escritor!


PERFIL


Nome Completo: Fausto Luciano Panicacci

Nome literário: Fausto Luciano Panicacci

Editora: Saraiva e Pandorga

Natural de: São João da Boa Vista/SP

Atualmente mora em: São João da Boa Vista/SP

Aniversário: 17 de maio

Estado civil: casado

Ocupação atual: escritor e promotor de Justiça

Livros publicados: O silêncio dos livros (romance), Naufrágios (coletânea de contos e poemas) e Compromisso de ajustamento de conduta (obra jurídica)

Filme favorito: Impossível escolher um só... Cinema Paradiso, A Vida é Bela, O Pode-roso Chefão, Lawrence da Arábia, Casablanca, Era uma vez na América...

Seu estilo musical: Rock e Blues


ENTREVISTA


Eliaquim Batista (Blog Vida de Escritor): Fausto, quero conhecer você. Quem é você? Como se apaixonou pelos livros e pela leitura? Enfim. Quero te conhecer um pouquinho.

Fausto Luciano Panicacci: Nasci em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, onde passei a maior parte da infância e adolescência. Depois fui para São Paulo/Capital cursar Direito no Largo São Francisco (USP). Tornei-me Promotor de Justiça, dei aulas na pós-graduação na FGV/SP, morei em várias cidades do Estado, passei um tempo morando em Cambridge, na Inglaterra, fiz meu Doutorado em Portugal. Estudei Fotografia, História do Cinema e História da Arte. Sou casado, tenho 3 filhos e, além da Literatura, tenho a Fotografia e a Arquitetura como paixões.

Tive o privilégio de ser incentivado por familiares à leitura desde criança, e em muitas datas festivas ganhava livros de presente. A paixão pela Literatura vem desde cedo, e me deliciava em descobrir, nas estantes dos meus tios, nas da minha própria casa, e tam-bém na biblioteca pública local, obras de Robert Louis Stevenson, Monteiro Lobato, Joseph Conrad, Saint-Exupéry, Hemingway, Machado de Assis, Conan Doyle, Cecília Meireles e tantos outros. Dois grandes amigos de infância também eram ávidos leitores, e emprestávamos livros uns dos outros.


Eliaquim Batista (BVE): Sua carreira sempre foi voltada muito para a área do direito, tanto que você é promotor de justiça. Como você se vê ao mesmo tempo autor e advogado? E como surgiu a ideia de começar a escrever?

Fausto Luciano Panicacci: Escrevi meus primeiros textos ainda muito novo. Não sei dizer quando houve o impulso inicial, mas escrever era (e ainda é) uma espécie de necessidade. Mas o fazia de forma muito assistemática, sem constância, e só na vida adulta é que decidi levar a escrita a sério. Iniciei um romance – que só agora estou terminando – há quase 10 anos. Parei de escrevê-lo por conta do doutorado e outros afazeres, e quando tornei à escrita tinha um novo livro em mente, que acabei finalizando e publicando antes daquele primeiro romance. As carreiras jurídicas guardam proximidade com a Literatura no que diz respeito à alta carga de leitura; no entanto, para um escritor, é preciso se policiar para que o texto literário não seja contaminado pelos vícios, cacoetes e estilo argumentativo dos textos jurídicos.


Eliaquim Batista (BVE): Fausto, em O Silêncio dos Livros você fala que os livros foram proibidos e que tê-los é crime. Como surgiu a ideia desse romance?

Fausto Luciano Panicacci: A ideia de escrevê-lo surgiu nas minhas andanças por Vila Nova de Gaia e Porto, na época do doutorado em Portugal. Havia uma série de temas sobre os quais eu refletia muito, e alguns personagens foram tomando forma. Uma das protagonistas, aliás, surgiu de uma cena que presenciei num restaurante à beira do Rio Douro: um casal acompanhado de uma menina de cerca de 9 ou 10 anos, que imagino fosse a filha, estava numa mesa próxima da minha; a menina folheava um livro e tentava, sem sucesso, chamar a atenção dos pais para as páginas, mas tanto o pai quanto a mãe estavam absortos em seus celulares e a ignoravam. Daí surgiu a ideia da personagem Alice, e de seu estado de solidão e abandono mesmo vivendo numa bela casa com a família. Já quanto à proibição aos livros, o tema não é novo, mas quis trabalhá-lo de uma forma diferente, partindo da intolerância na esfera privada para só depois projetá-la para o Estado e a proibição por lei. Há muitos anos li um ensaio do escritor Mário Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura, no qual ele explora a hipótese de um mundo sem livros, concluindo que seria um mundo que caminharia para a barbárie. É exatamente um dos motes de O silêncio dos livros.


Eliaquim Batista (BVE): Ainda sobre seu último livro, que é um romance, mas ele mistura partes da sua carreira como advogado e Promotor de Justiça, já que ter livros é crime.

Fausto Luciano Panicacci: Isso é muito legal, pois mesmo sendo mundos bem diferentes, literatura e direito, você conseguiu unir os dois. Então posso dizer que você uniu dois amores seus?

Há um capítulo no livro todo dedicado ao julgamento de um homicídio pelo Tribunal do Júri, além de algumas referências esparsas a questões jurídicas, como ao chamado “direito ao esquecimento”. No entanto, apesar dessa intersecção entre minhas atividades, O silêncio dos livros não é um thriller de tribunais.


Eliaquim Batista (BVE): Nesse seu terceiro livro, uma menina guarda um livro que ganhou de presente, mesmo isso sendo crime. Quero que me confesse uma coisa: Caso essa lei passasse a existir, qual livro você guardaria?

Fausto Luciano Panicacci: Ter de escolher um livro é algo quase tão terrível quanto a própria proibição. Se fosse obrigado a fazer essa escolha, provavelmente apanharia alguma coletânea de contos de Jorge Luis Borges, pelas constantes referências ao universo dos livros. Mas se você me fizer a mesma pergunta daqui a um mês, é provável que a resposta seja outra – talvez algo de Joseph Conrad, Hemingway ou outro.


Eliaquim Batista (BVE): Fora O Silêncio dos Livros, você tem dois outros livros. Certo?

"Naufrágios", de contos e poemas. E um livro técnico, "Compromisso de ajustamento de conduta". Pode comentar um pouco sobre cada uma das obras?

Fausto Luciano Panicacci: Naufrágios é um opúsculo com quatro contos, dos quais o último incorpora 26 poemas (um para cada letra do alfabeto). No primeiro conto, um rico empresário naufraga em suas memórias sobre a esposa e o filho ao se ver isolado numa ilha. No segundo, um bar-beiro aprecia seu ofício incomum. No terceiro, um matuto vê sua vida naufragar com seu país. E, no quarto conto, no leito do hospital, um idoso rememora suas amantes pelas letras do alfabeto, criando poemas.

A outra obra, Compromisso de ajustamento de conduta, é um livro jurídico, resultante do meu doutorado, e trata de formas alternativas de solução de problemas ambientais.

Eliaquim Batista (BVE): Fausto, pode deixar um recado para o pessoal aqui do blog e seus leitores?

Fausto Luciano Panicacci: A Literatura é uma forma de expressar uma experiência humana, dialogando com outras experiências e com outros livros. E é uma das belas maneiras de, ao se colocar no lugar do outro, vendo o mundo por outros olhos (os dos personagens), cultivar a empatia. Um grande abraço.


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Site do seu último livro: www.osilenciodoslivros.com.br


Onde comprar o livro?

A primeira edição está disponível no formato físico nas grandes livrarias e portais (Cultura, Saraiva, Livraria da Vila, etc); a segunda edição (físico e e-book), é ilustrada com fotos de locais do enredo, e vendida apenas na Amazon. Todas podem ser encontradas pelo link http://bit.ly/silenciobr



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