Eliaquim Indica | Filme PONTO OCULTO – Em cartaz nos cinemas
- Blog Vida de Escritor

- 30 de jul.
- 2 min de leitura
Filme germano-curdo foge do padrão hollywoodiano com uma narrativa ousada e sensível sobre vigilância, trauma e invisibilização; Ponto Oculto está em cartaz nos principais cinemas do país.
Se tem um filme que merece atenção neste ano e que está em cartaz nos melhores cinemas do país Ponto Oculto, da diretora germano-curda Ayşe Polat. A produção desafia formatos e expectativas ao nos transportar para o nordeste da Turquia, onde a realidade do povo curdo, marcada por silenciamentos históricos e vigilância constante, é contada de forma nada convencional. Trata-se de uma obra que mistura drama psicológico, documentário e suspense sobrenatural. Essa combinação não só funciona, como nos prende do início ao fim.

O longa é construído a partir de três pontos de vista, divididos em capítulos, e isso traz um frescor narrativo impressionante. Desde uma equipe que busca realizar um documentário, até imagens de câmeras ocultas, de segurança e de celulares, a narrativa se desenrola como um quebra-cabeça que só faz sentido aos poucos, exigindo atenção e curiosidade do espectador. E no centro disso tudo está Melek, a brilhante personagem mirim interpretada por Çağla Yurga, que rouba a cena ao ser a ponte entre o real e o invisível, entre o que pode ser captado por câmeras e aquilo que só a sensibilidade (ou o trauma) consegue perceber.
Além da pequena, o filme gira em torno de uma equipe alemã que tenta gravar um documentário em uma região muito perigosa do país, e sobre um povo que sofre muita discriminação. A equipe contrata uma jovem tradutora (Aybi Era), que sofre esse preconceito diariamente, e, além disso, é babá de Melek, que é filha de Zafe (Ahmet Varlı), um investigador do serviço secreto turco.
Mais do que uma crítica política, Ponto Oculto é um mergulho no poder das imagens. Polat nos mostra que, dependendo de como se filma, a câmera pode ser testemunha, arma, abrigo ou até maldição. Os momentos de tensão, silenciosos e por vezes fantasmagóricos, nos lembram de que há sempre alguém observando, podendo ser o Estado, o passado ou mesmo as dores que tentamos esquecer. Há cenas que incomodam por sua crueza e falas que impactam por serem carregadas de preconceito.
Apesar de exigir atenção, o filme oferece um final surpreendente e sensível, que conecta todos os fios soltos com uma cena e de uma interpretação rara. Quem gosta de cinema que propõe perguntas, mais do que respostas, vai sair da sala impactado. Ponto Oculto é uma daquelas obras que ficam com a gente mesmo depois que acaba, não pelo que mostram, mas pelo que fazem sentir.

Trecho do filme Ponto Oculto
É impossível sair indiferente. Se você gosta de conhecer diferentes culturas espalhadas pelo mundo, histórias e narrativas ousadas, essa é uma indicação certeira. E se, ao final, você se pegar olhando para uma câmera de segurança com outros olhos… é sinal de que Ayşe Polat cumpriu sua missão.
Assista abaixo o trailer do filme Ponto Oculto:
Abraços Literários,










Comentários