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"O OVO DE OURO" - Crítica da peça



Na terça-feira, dia 25, fui para a leitura dramática da peça “O Ovo de Ouro”, de autoria de Luccas Papp. O evento aconteceu na sede da Vivo aqui em São Paulo / SP e foi maravilhosa!

A peça ainda não está em cartaz, mas com certeza será um sucesso pois o enredo é envolvente e apesar do tema ser bem conhecido, o autor conseguiu ser inovador.

A história inicia-se em Auschiwitz, campo de concentração nazista da Segunda Guerra Mundial, na Polônia. Onde os amigos Dasco (Luccas Papp) e Adorra (Mateus Monteiro), naturais de Budapeste, capital da Hungria trabalham de forma desumana contra a própria vontade.

O trabalho dos jovens judeus, consistia em ajudar os que chegavam no local se despirem, levá-los para os chuveiros que quando ligados saía o gás do extermínio. Após isso, levavam os corpos para grandes fornos onde eram cremados.

Nesse contexto, Dasco diz que naquele dia viu um menino entrando debaixo do chuveiro feliz, com um sorriso no rosto e isso mexeu muito com o jovem. O menino acreditava que iria tomar um banho, quando na verdade, seria o seu fim.

Isso quebra o coração do protagonista que quer acabar com tudo naquela hora com uma faca, mas seu fiel amigo Adorra, que pensa em fugir a todo instante, não permite que ele cometa o suicídio.

Neste momento, percebemos que a peça é feita com quebras de linearidade, Dasco agora já idoso (Sérgio Mamberti) e está em uma sala com uma jornalista (Rita Batata), onde ele conta sua história para a moça.

A atriz que faz a jornalista, também faz papel de uma judia, quando Dasco lembra-se do passado. Trata-se de Eulinka, moça encontrada no dormitório dos judeus que trabalhavam em Auschwitz.

O grande vilão da história é o cyber commander, soldado responsável pelo local, Webar (Ando Camargo), que odeia judeus, os apelida de porcos, e venera o regime nazista. E com o peito cheio, fala que viu Hitler uma vez e que quando o viu, era como se estivesse vendo e ouvindo um deus.

Para ele, cada um deveria dar o melhor de si para a sociedade e os judeus, ciganos, homossexuais, eram um erro para a sociedade, então deveriam ser exterminados, e essa era sua função que exercia com felicidade tamanha.

A peça mostra e descreve claramente como viviam aqueles que eram escravizados antes da morte em Auschwitz:

Duas, três pessoas por cama, uns em cima dos outros, como refeição tinham uma sopa que causava diarreia constante e ao dormir, os que dormiam nas camas debaixo sofriam com isso.



“Quando se está na prisão, ela nunca sai de você! Todos achavam que era um banho, só um banho”

Dasco ao lembrar-se de tudo o que viveu e emocionado.


Ambos os amigos guardam um tesouro, o Ovo de Ouro, consigo. E Dasco tem mais uma riqueza que guarda com grande apresso.

Ao final, o diretor da peça, Ricardo Grasson, conversou com a plateia junto com toda a produção. (Cenógrafos, paisagistas, iluminação, etc). Foi o primeiro contato da equipe com a leitura dramática do texto, ou seja, foi um momento único.

Vale destacar o depoimento do querido Sérgio Mamberti, que relembrou sua infância, onde lembra da 2ª Guerra Mundial, ao fim da guerra os sinos das Igrejas tocaram, mas em seguida veio os ataques americanos ao Japão com a bomba atômica.

E citou os holocaustos atuais, que está na periferia, no racismo, na itolerância religiosa, a falta de reforma agrária em nosso país, enfim.

Outra fala que foi de grande destaque, foi a do ator e autor da peça Luccas Papp, que por um acaso, em seu depoimento respondeu a pergunta que minha língua coçava para fazer... “Qual foi o incentivo para escrever essa peça?”

E o rapaz disse que foi após uma longa pesquisa da segunda guerra mundial na faculdade. Formado em Filosofia, o paulistano disse que estudou o tema para entender o pensamento da época e que quis contar por uma outra visão o que foi esse triste marco da história da humanidade.

E disse uma frase que resumiu toda a obra:

“Precisamos contar o que todo mundo entendeu, pela visão de quem nunca viu. Nos livros se lê o nome de diversos opressores, mas nunca se vê o nome de quem morreu.”





Tenha certeza que o Blog Vida de Escritor estará na estreia da peça quando ela estiver em cartaz. Um texto de fácil compreensão, onde o espectador se vê em um campo da segunda guerra, sente o sofrimento dos personagens e ao mesmo tempo conhece mais da história do holocausto que matou milhares de pessoas. Em outras palavras, o texto foi bem escrito e estruturado.

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© 2020 por Eliaquim Batista - Blog Vida de Escritor.

São Paulo / SP