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Resenha | Livro: Educação sexual numa perspectiva sociomoral, de Thais Emilia de Campos Santos (Scortecci Editora).

Fim de férias, é hora de professores e educadores se atualizarem para um novo ano letivo, e nesta resenha apresento um livro que poderá te ajudar na atuação com Ensino Fundamental II e Ensino Médio.


O livro Educação sexual numa perspectiva sociomoral (Scortecci Editora), de Thais Emilia de Campos Santos, é uma ótima fonte de conhecimento seguro de um tema bem delicado, mas que deve ser debatido de forma correta dentro da escola, como escreve Raul Aragão Martins, professor doutor da UNESP de Marília, já no prefácio do livro.


 

A obra é resultado das pesquisas de mestrado e doutorado da autora sobre educação sexual, fundamentada no estudo sociomoral de Jean Piaget, um dos nomes mais importantes da história da psicologia da educação. Com isso, a autora busca apresentar a necessidade de conscientizar adolescentes a uma compreensão ética da sexualidade e respeito de seus limites e do próximo. Em um livro dividido em cinco capítulos, onde os três primeiros apresentam a parte teórica do assunto, os dois últimos, a parte prática, seja no ambiente escolar, ou podendo ser um bom apoio para uma conversa franca dentro de casa, e o livro encerra-se com a conclusão da autora.

 

Com isso, no primeiro capítulo, amparada por grandes pensadores como Jean Piaget, Granville Stanley Hall, Ana Mercês Bahia Bock, Daniel Becker, Içami Itiba e José Outeiral, que define a adolescência em três etapas, sendo: a passividade em relação às transformações corporais; choque entre gerações; e a busca de reconhecimento pela sociedade. E, ainda é apresentado no capítulo que a puberdade está intrínseca na adolescência e o desenvolvimento cognitivo formal, mas são coisas diferentes, além de explicar sobre como o tema acontece em intersexos, uma das bandeiras e lugar de fala da autora, e em pessoas trans.

 

Já no segundo capítulo, Thais Emilia traz um histórico da Educação Moral no Brasil, a teoria do desenvolvimento moral de Jean Piaget, principal pensador que a autora traz em sua pesquisa. E, no terceiro capítulo, o último dedicado à parte teórica, são apresentadas intervenções de educação sexual com foco no desenvolvimento da autonomia sexual dos adolescentes, práticas pedagógicas sobre reflexão e formação sexual, e por fim, traz o ensino de respeito e direitos dos adolescentes.

 

“Portanto, os anos que sucederam 2015 foram marcados por um cenário de vigilância, perseguição e fragilização da educação sexual nas escolas públicas brasileiras. O silenciamento desses temas contribuiu não apenas para a perpetuação de estigmas e preconceitos, mas também para a manutenção de contextos de violência de gênero, gravidez precoce, e infecções sexualmente transmissíveis em adolescentes e jovens”

p. 50

 

Nos dois capítulos práticos, a autora elenca as principais dúvidas dos adolescentes, a partir de uma ótima e extensa pesquisa de campo. O interessante é que, mesmo que na escola já tenham educadores que conheçam muito bem sobre o assunto, é importante consultar o capítulo, pois as respostas apresentadas são com uma linguagem direta e que alcança os adolescentes e jovens de hoje. E, no quinto capítulo, são apresentadas sugestões de atividades para a sala de aula ou escola, como levar filmes sobre o assunto, debates, entre outros.

 

Nos últimos anos, a adolescência passou a ganhar relevância e, mais do que classificar a etapa da vida como “aborrecentes”, é necessário entender o que se passa sobre uma fase de crescimento em todas as áreas da vida. Debater sobre sexualidade é necessário para que se aprenda o respeito consigo, com o outro, como o jovem pode identificar possíveis casos de abusos contra si ou com algum amigo da mesma idade, além da conscientização das transmissões das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), entre outros casos.

 

E, diferentemente do que os ditos mais conservadores propagam todos os dias em fake news, apresentar sobre sexualidade mesmo antes da puberdade, não adianta a vida sexual daquele indivíduo, pelo contrário, em reportagem da BBC de 2015, apresenta que a Grã-Bretanha, ao inserir um programa de educação sexual desde cedo em escolas, fez justamente ao contrário, jovens passaram a ter início a vida sexual mais tardiamente.

 

A luta da autora Thais Emilia de Campos dos Santos é que aulas de educação sexual sejam inclusas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como matéria escolar fixa. Mesmo nobre, infelizmente a luta ainda está só no início, o que seria urgente, visto que, segundo o IBGE, o início das atividades sexuais contínuas tem começado no país cada vez mais cedo e, na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense, 2015), dos adolescentes do 9º ano do Ensino Fundamental que já iniciaram a sua vida sexual, 33,8% responderam não ter usado camisinha na última relação sexual. E o Ministério da Saúde registrou que, entre 2007 e junho de 2022, 102.869 jovens de 15 a 24 anos foram infectados pelo HIV.

 

Logo, sem esse avanço, histórias como a da telenovela Três Graças (Rede Globo), de autoria de Agnaldo Silva, em que o núcleo central da novela é formado por uma família de mulheres de diferentes gerações, onde a matriarca da família teve uma gravidez precoce, seguida pela filha e, atualmente, a neta da casa está grávida aos quinze anos, continuarão acontecendo. E, o último recado aos que se dizem mais moralistas, é que a conversa em casa é indispensável e, para acrescentar isso, é melhor que os jovens aprendam sobre o tema em um ambiente em que são guiados por um profissional formado para isso, ou é melhor que recebam mensagens de uma forma distorcida por informações soltas vindas de um simples léu?

 

O livro Educação sexual numa perspectiva sociomoral (Scortecci Editora), de Thais Emilia de Campos Santos, está disponível na AMAZON e nas melhores livrarias digitais.


Abraços Literários,


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