Opinião Pública | CRITICS CHOICE AWARDS 2026
- Blog Vida de Escritor

- 6 de jan.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 7 dias
A piada de Wagner Moura que salvou a noite do Critics Choice Awards 2026.
Depois de uma entrega catastrófica no tapete vermelho da premiação, o ator soteropolitano fez graça na sua vez de entregar um dos troféus da noite.

A vitória de O agente secreto como Melhor Filme Estrangeiro no Critics Choice Awards 2026 deveria ser motivo de celebração plena, mas acabou atravessada por uma condução, no mínimo, constrangedora. A decisão de anunciar o prêmio no tapete vermelho, enquanto o diretor Kleber Mendonça Filho concedia entrevistas, foi um rebaixamento simbólico do cinema feito fora dos Estados Unidos. Não sou especialista da sétima arte, mas como espectador atento é difícil não perceber o gesto ou fazer vista grossa.
O incômodo foi verbalizado pelo próprio Kleber Mendonça Filho, que classificou o episódio como uma “falta de atenção” da premiação e afirmou que “teria sido importante destacar o cinema internacional, com uma apresentação no palco dos indicados”. Ainda assim, o diretor reconheceu que o convite para ele e Wagner Moura entregarem o prêmio principal da noite ajudou a amenizar a situação. Em suas palavras, foi “uma honra” anunciar o vencedor ao lado do ator brasileiro, gesto que devolveu certa dignidade ao reconhecimento recebido mais cedo.

O engraçado, para não derrubarem o meu conteúdo, foi que Wagner Moura, protagonista do filme nacional premiado, é que salvou a noite do fiasco. Ao subir ao palco para o anúncio da categoria principal como “melhor filme — ou como chamamos no Brasil, melhor filme internacional”. A piada, simples e direta, arrancou risos e funcionou como um comentário crítico elegante sobre a própria cerimônia, expondo o desconforto sem estragar o jogo. Foi ali que a noite pareceu, enfim, encontrar o mínimo de equilíbrio, mas já estava no final.
Como sempre digo, “brasileiro precisa ser estudado” e a reação dos conterrâneos nas redes sociais, que invadiram os perfis oficiais da premiação, mostra que o episódio tocou em uma ferida antiga: a recorrente sensação de que o cinema nacional ainda ocupa um lugar periférico nas grandes festas da indústria norte-americana.
Fica a torcida para que, no Globo de Ouro e no Oscar, a condução seja mais justa, cuidadosa e respeitosa. Além de quem sabe ver o Brasil leve mais premiações para casa, como o fenômeno Ainda Estou Aqui, e que nos livros didáticos apontem a geração de ouro da década de 2020 e lembrada como a geração em que a terra do Tio Sam finalmente se lembrou do Brasil e o apagamento às inúmeras vezes em que o nosso cinema foi ignorado tenha finalmente um ponto final.
O filme O agente secreto se passa em Recife, 1977, durante a Ditadura Militar, acompanhando Marcelo, um especialista em tecnologia que foge de um passado misterioso e violento de São Paulo para recomeçar a vida, mas descobre que o passado o alcança e que a cidade está longe de ser um refúgio.
Enquanto isso, O agente secreto segue ampliando sua presença para além das telas. Recentemente, o roteiro original do filme foi publicado em livro pela Amarcord, selo do Grupo Editorial Record, reafirmando a força da obra também no campo literário e conta com prefácio do cineasta Kleber Mendonça Filho, e posfácio de Wagner Moura e disponível na Amazon e melhores livrarias.
Abraços Literários,










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