Buscar

Sintonia | Série brasileira da Netflix | Você assistiu?

Com um trio de protagonistas, Netflix aposta na favela em produção brasileira

A periferia é uma realidade brasileira. Cada estado, tem suas particularidades do fenômeno, mas as condições precárias de vida das pessoas é uma marca do Brasil e que muitas vezes é ridicularizada e pensamentos preconceituosos carregam no pensamento de diversas pessoas que nunca nem sequer foram em um desses guetos.


Nas grandes metrópoles, os bairros mais afastados dos centros e que abraçam as famílias de baixa renda, são as chamadas favelas, hoje em dia são conhecidas por outros nomes, como comunidades e quebradas.


Além de moradia precária, os muros alaranjados, devido as paredes de tijolos sem acabamento, a falta de saneamento básico e o crime organizado habitam nas regiões. Mas não só de mazelas vivemos, me incluo por morar em um dos últimos bairros de Sampa.

Muitas pessoas de bem vivem nessas regiões, além de trazer uma cultura própria, costumes, gírias, culinária, sem esquecer de grandes talentos que surgem a cada dia a partir de projetos sociais e sonhos de meninas e meninos que desejam ganhar o mundo.


A série Sintonia da Netflix busca mostrar para o mundo a realidade das favelas brasileiras, mais especificamente das comunidades paulistas. Com três protagonistas, Rita (Bruna Mascarenhas), Nando (Christian Malheiros) e Donizete, ou MC Doni (Jottapê), a série tem o objetivo de mostrar onde cada um deseja chegar. E mesmo um tendo uma vontade de futuro diferente da(o) amiga(o), eles tem algo em comum: Conseguir uma ascensão na vida a partir do que vivem hoje.


Em 2019, foi lançada a primeira temporada da série e só agora em 2021, chegou a vez do streaming continuar a contar a história dos três guerreiros que tem um grande laço de amizade desde a infância e juntos se tratam como irmãos.



Com o mínimo de spoilers possíveis (risos), quero falar um pouquinho de cada um dos protagonistas:

Rita é uma ambulante que vive literalmente sozinha. A jovem mora em um conjunto residencial de um programa social de moradia popular, que fica no coração da comunidade. Em meio a trama, ela se converte e passa a ser discípula de pastores evangélicos e tem como grande sonho, conseguir o amor da sua vida.


Donizete, como o próprio apelido que apontei acima, sonha em ser um funkeiro de sucesso e rodar o Brasil. No início da trama, ele mora com seus pais que tem a famosa “vendinha” ou “mercadinho” na favela e que são contra o sucesso do filho que já compõe letras e batidas de músicas.


Por fim, Nando, o que vejo com a história mais triste, sonha em ser um traficante respeitado da região; é o personagem que menos sorri do trio. Isso acontece pois o rapaz se depara, ou participa, de diversas situações difíceis que o caminho que escolheu para si lhe traz, como por exemplo crimes, assassinatos, tráfico, sequestros, etc. O terceiro integrante da sintonia é casado com Sheyla (Julia Yamaguchi) e tem uma filha ainda bebê.


Sintonia tem uma boa história e não nego que aguardei ansiosamente pela segunda temporada. Pois mesmo tendo a vida bem diferente dos três, vi alguns amigos nesses personagens, ou então eu mesmo tenho ou tive, sonhos parecidos com o dos protagonistas.

A série deixa a desejar em alguns pontos, quando mostra apenas um único exemplo seja de arte, religião, diversões, etc.


Como por exemplo é o caso do funk, que é a única forma de arte que aparece na série. Quando a realidade traz outras formas tanto de entretenimento, quanto de cultura na comunidade. Grande exemplo é a cultura do Hip Hop, em especial o grafite, que tem levado grande notoriedade para os bairros mais distantes do centro, no caso de São Paulo.


O Divino, que também está muito presente na série, não tem uma boa coerência com o que acontece no dia a dia, já que apenas uma vertente é apresentada, a Evangélica Pentecostal. Sendo que todas as comunidades sempre têm um terreiro de culto de matriz africana, a catequista Católica que sempre aconselha a "mulekada" da redondeza e leva o Padre quando há alguém doente ou para uma exéquias (conhecida popularmente como encomendação do corpo) quando alguém morre.


Parece que todos na comunidade são protestantes e não se apresenta outra religião, o que sabemos que não é uma realidade brasileira, seja na comunidade ou em outros locais do país. Há apenas uma cena da primeira temporada que mostra uma senhora rezando em um simples altar com alguns Santos Católicos, mas que passa desapercebida por quem assiste.


Também senti falta de uma figura intelectualizada, como a de um professor ou um líder comunitário, que trabalha na região e que a criançada ama. A figura mais próxima a essa, é o pai do MC Doni, que aparece na primeira temporada.


Mas não é por essas ressalvas que Sintonia seja uma série ruim. O enredo é bom e os três atores protagonistas foram escolhidos a dedo, pois cumprem com boas atuações seus trabalhos. A série deve ser assistida por nós que moramos nas regiões da periferia, para que fiquemos alerta dos perigos causados, como também das vitórias que podemos ter a partir de muita luta.


E deve ser assistida para quem não mora na periferia, para que tire o preconceito de que a comunidade é um lugar ruim e que todos ali são traficantes, ou usuários de droga e que são regiões que estão próximo a zonas de guerra.


Sintonia representa sim a quebrada paulistana e vale a pena uma maratona com a família, menos para crianças por ter cenas bem fortes, mas não esqueça da pipoca pois será um fim de semana de muita adrenalina, suspense e emoção!


Comente aqui qual a sua opinião referente ao folhetim da Netflix!

Abraços Literários,