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Resenha | NÃO EU, MAS DEUS – Biografia espiritual de Carlo Acutis, de Ricardo Figueiredo | Paulus e Paulinas Editora [Editora Parceira]


O nome de Carlo Acutis ganhou grande notoriedade quando o Papa Francisco apresenta mais um de seus documentos, a Exortação Apostólica Pós-sinodal Christus Vivit, dedicada especialmente aos jovens Católicos de todo o mundo. No terceiro capítulo, o Santo Padre apresenta um jovem que viveu nos nossos dias e que evangelizava por diversos meios, inclusive na internet.


E em 2020, em meio a pandemia, quando seu processo de Beatificação estava prestes a ser concluído, o nome do menino inglês ganhou ainda mais força entre os Católicos, especialmente adolescentes e jovens, passaram a ter devoção devido Carlo ter vivido em nosso século.


Sim, ele era inglês. Caso você o conheça superficialmente, é possível que você achasse que ele era italiano, pois viveu praticamente toda a sua vida em Milão, mas ele nasceu na terra do Rei Charles III, na época do reinaldo da Rainha Elizabeth II, devido uma fase em que seus pais trabalharam por lá.


Na biografia Não eu, mas Deus – Biografia espiritual de Carlo Acutis, escrita pelo Padre português Ricardo Figueiredo e editada pela Paulus e Paulinas, conhecemos uma pequena amostra de quem foi o menino que ia diariamente na Santa Missa, amava jogar uma bolinha com os amigos e que apesar de ser de uma família abastada, amava conviver e partilhar com as pessoas mais simples ao seu redor.




No fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, a informática avançava e se tornava cada vez mais popular. E ter um Playstation era diversão certeira no fim de semana, seja sozinho ou na companhia dos amigos, com jogos gravados na memória de CDs.


Foi nesse cenário que viveu o jovem Carlo Acutis, nascido em 3 de maio de 1991, em Londres. Era um menino cercado de amigos, apaixonado por tecnologia e que mesmo assim não deixou de buscar a Santidade através da oração, confissões regulares e não dormia sem ter rezado o Rosário.


Conforme descrito na obra, desde muito pequeno, toda igreja que Carlo via pela frente, ele pedia para entrar e apresentava um apresso muito bonito pelas coisas divinas, mesmo seus pais não sendo tão religiosos assim. Ter estudado em uma escola religiosa pode ter sido um (Santo) gatilho para isso.

 

Logo, junto com seu crescimento, era visível o amor que Carlo tinha pela sua fé e não se envergonhava de apresentá-la por onde passava e a todos os amigos e pessoas ao seu redor. E como bom Católico, com o tempo, criou uma linda devoção à Nossa Senhora de Fátima e a São Francisco de Assis. Tanto é que em suas férias sempre pedia aos pais para fazerem uma viagem religiosa.


“A família de Carlo experimenta uma situação econômica bastante estável e acima da média. Isso permite que os pais façam múltiplas viagens com o filho, pelo mundo. É de notar que Carlo não peça aos pais para ir aos lugares mais ‘na moda’, mas queira sempre passar por lugares relevantes para a fé cristã. Assis será seu lugar predileto, como diz ao seu diretor espiritual [...]. Além de Assis, pede para visitar os lugares dos milagres eucarísticos, também Lourdes, Fátima, Guadalupe.”

Página 36


Outro fato de sua vida é que é impossível negar que o QI do menino era acima da média. Sua aptidão para informática era algo notável e desmontar um computador para consertá-lo, era algo simples para Carlo. Além disso, a sensibilidade do menino com o próximo era algo lindo e sua sabedoria seja intelectual seja pelas boas práticas cristãs, era notável.

 

Fica a pergunta: De onde vinha tanta inteligência para um simples adolescente? Vinda de Deus? Toda aptidão de Acutis, era usada para algo relacionado a fé. A informática foi usada para criar um site, muito antes dos modelos prontos e editáveis. Códigos inesgotáveis eram exigidos para se criar um endereço na web, mas isso não impediu que o menino fizesse história:

 

Com a pesquisa que fez da história de milagres eucarísticos espalhados por todo o mundo, Carlo criou um site sobre os grandes fatos que a ciência não explica e depois disso, nasceu o desejo em criar uma exposição eucarística, algo único até então.


"Os milagres eucarísticos marcam Carlo de forma muito particular. Foram de tal forma importantes que se decidiu a desenvolver uma exposição totalmente dedicada a apresentar a história de cada um dos milagres eucarísticos. [...] São 136 milagres eucarísticos em 166 painéis. Essa exposição já percorreu o mundo todo e os seus materiais são facilmente acessíveis através da internet (www.carloacutis.com). Carlo terminou de montá-la pouco tempo antes da sua morte e foi inaugurada pela primeira vez em 4 de outubro de 2006. Carlo não esteve presente por já ter sido acometido pela doença e estar muito debilitado."

Páginas 66 e 67


E com apenas 15 anos e poucos dias de internação, o "Santo" Carlo Acutis se despede da família e amigos, vítima de um tipo raro e devastador de leucemia. Mas o que o menino deixa, é muito maior do que pessoas que viveram seus 80, 90 anos sem a busca de um ideal, ele deixa um legado de que buscar as coisas divinas deve ser um desejo sem igual. Afinal, parafraseando com Santa Teresa de Jesus, a “Que beleza é uma alma em estado de graça", e essa beleza era vista por aqueles que cruzaram com este menino! Aos que não conviveram, como você e eu, temos o livro do sacerdote Ricardo Figueiredo, por exemplo.

 

E os sinais de santidade deixados por Carlo, são claramente vividos em diversos jovens católicos, inclusive no Brasil. Um grande exemplo é o casal de namorados Karoline Verri Alves e Luan Augusto, de Cambé / PR, que foram vítimas do massacre em uma escola em 19 de junho de 2023. Com 17 e 16 anos, respectivamente, os dois iam à Santa Missa com frequência, se confessavam semanalmente e em tudo tentavam seguir os passos de Cristo.



Em outubro do ano passado, esteve em cartaz nos cinemas brasileiros a cinebiografia O céu não pode esperar, sobre a vida do menino Acutis. É incrível como o filme completa o livro de Padre Ricardo e um não ofusca o outro, ou seja, nada de ver o filme para não ler o livro (risos). A única coisa que o filme deixa a desejar é que em todos os depoimentos, apenas um é de alguém que conviveu diretamente com Carlo, o de sua mãe.


Não eu, mas Deus, é um livro que deve estar na cabeceira de todos os jovens Católicos que não desgrudam de seus smartphones, mas buscam as coisas de Deus em primeiro lugar em um mundo que vive o lado oposto ao cristianismo.



Abraços Literários,



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