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Papo com Escritora | RAFAELA FERREIRA | Livro: Eu só cabia nas palavras

Atriz, apresentadora, educadora, produtora e agora escritora! Rafaela Ferreira aumenta seu currículo de diversas profissões



Com sangue carioca mas apaixonada por radicada em São Paulo, a atriz viveu personagens marcantes na TV, como a Nanci de Poliana Moça e As Aventuras de Poliana, a Juju de Malhação ID e a Penélope de Rebelde.


Em maio desse ano foi a vez de Rafaela se lançar como autora com o romance "Eu só cabia nas palavras", lançado pela editora HarperCollins Brasil. Nas redes sociais, incentiva as pessoas a serem e expressarem quem são, fomentando as pautas da representatividade e ativismo gordo.


Eliaquim Batista: Hoje você é reconhecida por seu trabalho como atriz. Como foi o seu início de carreira e foi muita luta para chegar no momento atual de sua carreira?

Rafaela Ferreira: Com certeza. Comecei a fazer teatro com 13 anos, ainda na escola, mas não acreditava que era uma profissão que poderia seguir. Não me via representada na televisão, no cinema ou nas mídias. Quando chegou o vestibular, fiquei em dúvida entre psicologia e teatro, acabei escolhendo a minha paixão. Estudei bastante e fui conseguindo algumas oportunidades, ainda com muitos altos e baixos. Construí minha carreira com certa dificuldade, não era sempre que apareciam personagens gordas nas produções. Hoje, vemos uma crescente evolução e me sinto parte, de alguma forma, desta transformação no audiovisual. Continuo desejando mais, mais protagonistas, mais quebra de estigmas e estereótipos, mais oportunidades.

"Construí minha carreira com certa dificuldade, não era sempre que apareciam personagens gordas nas produções."


Eliaquim Batista: Em "Eu só cabia nas palavras", você nos apresenta as adolescentes Gio e Lisa. Pode falar um pouco sobre elas e de como foi a criação dessa dupla?

Rafaela Ferreira: Giovana e Lisa foram criadas a partir de memórias da minha adolescência, de histórias de amigas e seguidoras e de uma vontade imensa de falar sobre essas dores que perpassam corpos dissidentes. Eu e Giovana temos muito em comum, principalmente no tocante à gordofobia na adolescência, às questões de autoestima, à descoberta da bissexualidade e o amor pelas artes. No livro, Gio, cansada das opiniões gordofóbicas sobre seu corpo, encontra refúgio nas palavras, dos textos que lê e escreve, inclusive dos vídeos que grava para as redes sociais. Sim, ela é tiktoker. E então Lisa, uma aluna nova do colégio, entra em sua vida, trazendo alegria e novidade. Juntas elas vivem muitas aventuras e primeiras vezes. Revolucionam a realidade uma da outra e finalmente, Gio se vê digna de afeto! Mas será que esse é o caminho certo para mudar a percepção que ela tem sobre o próprio corpo e o próprio valor? Só lendo pra saber, espero que gostem!


Eliaquim Batista: Em seu livro, a protagonista é uma adolescente que não aceita a sua aparência, além de sofrer bullying e gordofobia. Você vê que esses temas devem ser mais debatidos com a galerinha?

Rafaela Ferreira: É fundamental conversar sobre esses temas. As redes sociais, os filtros, as imagens extremamente editadas, os padrões estéticos, nos levam a comparações desleais, que podem desenvolver transtornos, depressão, cobrança excessiva e o desenvolvimento de marcas severas na nossa autoestima. Sofri bullying na infância e adolescência, na época, a palavra gordofobia ainda não existia, nem a palavra bullying, portanto só mais tarde pude revisitar e entender esses momentos. Por isso, hoje, escolho ser uma voz que fala abertamente sobre o assunto, levando informação para pessoas que precisam e muitas vezes nunca tiveram acesso, ou alguém confiável para trocar.

E espero que a história da Gio possa servir de inspiração para movimentar as estruturas da gordofobia na nossa sociedade.

Eliaquim Batista: Por que você escolheu falar para o público jovem em seu livro?

Rafaela Ferreira: Esse público é muito fiel, leal e sincero. São verdadeiros, apaixonados e super presentes. Tenho me relacionado com ele desde Malhação ID (2009), passando por Rebelde (2012) e Poliana (2018/2023). Sinto que fomos nos construindo juntos. A juventude costuma ser um momento de autodescoberta, de formação da opinião, de entendimento das vontades e desejos, é uma passagem muito especial, e também muito sensível. Na minha vida pessoal, a adolescência foi um momento difícil e ler um livro como Eu só cabia nas palavras poderia ter me ajudado muito. Por isso, percebo uma responsabilidade em colaborar para a construção de ideias cada vez mais conscientes.




Abraços Literários,


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